• Edgar Andrade

O que você sempre teve vontade fazer mas faltou oportunidade?


Fiz essa pergunta recentemente e um mói de gente respondeu trazendo desejos muito interessantes. Sabe o que as respostas tinham em comum?

Nenhuma delas falava em comprar coisas. Casa na praia, carro, relógios, enfim. Ninguém (que respondeu, obviamente) dentro dessa nossa bolha, SONHA em comprar coisas. Lógico que o desejo de ter coisas faz parte da nossa vida. Todo mundo quer comprar algo. Mas sabemos que existe uma diferença muito grande entre desejar algo e pautar toda a sua vida para conseguir ter algo, ou muitos algos.


As pessoas que responderam minha pergunta queriam APRENDER algo novo, queriam FAZER coisas, COLABORAR com a comunidade ou com o mundo, EMPREENDER. E muita gente, 24%, queria viajar. O curioso de seus relatos foi que a palavra SABÁTICO apareceu muito. Conhecer pessoas, aprender algo, refletir, foram algumas das palavras que apareceram.


Venho falando há muito tempo sobre minha visão do futuro das escolas, das cidades, dos negócios, das marcas. Materializar experiências que nos aproximem desse futuro é a principal missão do Fab Lab Rec, que acelerou seu processo de conexão com o mundo nos últimos meses. Essa crise influenciou, mas já havíamos percebido, bem antes dela, que era necessário dar escala ao que nós fazemos para ajudar a mudar o mundo. Para isso era fundamental fazer com que nossa metodologia de educação maker e nossos conteúdos fossem acessados por qualquer pessoa, de qualquer lugar. No dia 27 de agosto daremos início a essa nova etapa da nossa jornada empreendedora. Eu e Betita Valentim estaremos com você, e com quem você convidar para essa experiência, compartilhando TUDO o que aprendemos nesses mais de 20 anos de trabalho, aprendizagem e empreender. Detalharemos também o processo de construção da metodologia que rodamos com escolas, empresas e comunidades, sempre com a perspectiva e expectativa de ajudar PESSOAS a terem um olhar diferente sobre o mundo, sobre seu papel nele e sua potencial força para a transformação. Vamos falar das nossas referências e ferramentas que nos ajudam a enfrentar esses desafios, e mostrar como você pode começar a fazer as coisas que sempre teve vontade. Não tem mágica, mas tem processo e aposto que boa parte dos desejos presentes nas respostas que recebi são viáveis. Duvida?


Tudo bem que para quem quer viajar nem sempre a vontade é suficiente para resolver. Colaborar para transformar comunidades envolve uma galera e não é trivial. Ajudar a melhorar o mundo, como deseja Mariana Amazonas (e acredito que ela faz isso muito bem), envolve muito mais gente. Construir casas populares de baixo custo, como sonha Henrique Ramos da Isobloco, é lindo, mas ainda depende do poder público para ganhar escala. Espalhar cores pelas ruas e calçadas como deseja Clarissa Duarte, vai ser incrível, mas precisamos combinar com os russos, blza?


Empreender no Brasil é uma luta que só quem bota a vida toda nisso sabe. Eu, Mariana da Mata, nossas sócias e sócios sabemos bem como é isso, e queremos que Maria do Carmo e Verônica Ribeiro, que desejam empreender, se animem mesmo sendo difícil.


Tem uma galera que quer aprender a fotografar, como Fabian Bezerra. Fazer teatro, como Karina Zapata (como se precisasse). Priscila Gubert quer aprender piano. Raquel Uchôa quer estudar gravuras. Pedro Febrônio quer estudar Artes Visuais. Paulinho Gordo é um escritor incrível mas nem mostra seus textos pra galera. Não é fácil começar, eu sei, mas talvez seja mais fácil que construir um carro, como deseja Victor Lamenha. Ou passar um ano na Calábria, como Aislan Greca.


E tem muita gente que quer botar a mão na massa como Jakeline Soares. Ela quer fazer esculturas de barro. Carlos Carvalho também. Alessandro Lima quer aprender como alguns materiais funcionam e interagem com o ambiente, ou com outros materiais. Clarice Andrade e Aquiles Lopes querem aprender marcenaria e fazer móveis para suas casas. Cris Lacerda quer fazer carteira de MDF, bolsinha de madeira, horta na varanda.


Desde que inauguramos o Fab Lab Rec lembro de ter feito umas caixas de som, um gabarito para caçar Pokemon, prateleiras para temperos da nossa cozinha, algumas experiências com João e Oto. Parece alguma coisa, mas é bem menos do que gostaria. Esse texto é sobre estarmos presos a um modelo de sociedade que determina o que podemos ou não fazer. Girar a chave para fazer as coisas de um jeito diferente é um processo e não se resolve rapidamente. Talvez seja como enfrentar o machismo e o racismo que temos dentro de nós. Não basta decidir deixar de ser, envolve esforço, reflexão e vigilância permanente. Não se muda o mundo num estalar de dedos e não mudamos nosso comportamento num passe de mágica. Venho me esforçando desde 2013, quando tive o primeiro contato com o movimento maker e seu poder transformador. Sinto que estou distante de chegar onde desejo, mas todos os dias dou um ou alguns passos importantes.


Sabe o que sempre tive vontade de fazer, entre muitas coisas, e nunca tinha feito até mergulhar no nosso momento sabático em Catuama? Uma mesa. Uma simples mesa de madeira. Deu uma bronca no nosso apartamento em Recife, em plena pandemia. Devolvemos para a imobiliária, alugamos a casa do meu mais novo amigo de infância, Sergio Carneiro, tio de Barretinho. Desde junho estamos morando na praia e vamos ficar por aqui pelo menos até novembro. Tem uma garagem cheia de madeiras e trouxe algumas ferramentas do Fab Lab. Botei a mão na massa. Fiz a mesa, que ficou meio bamba, fiz balanço, brinquedos para as crianças, arrastei um tronco de madeira por quase 600 metros (contando com Iemanjá que fez quase todo o serviço, confesso), e toda semana invento uma novidade.


Sendo repetitivo, esse texto é sobre mudança. É sobre como todo mundo pode mudar, por mais difícil que seja, e SEMPRE É! Nas próximas semanas espero que vocês estejam conosco nessa jornada que envolverá algumas Lives, também quero escrever mais e compartilhar mais dessas minhas doidices. No dia 26 de agosto vai rolar um momento muito bacana em que receberei o amigo Marcelo Tas e a primeira pergunta que farei será essa que fiz pra você. E no dia 27 de agosto vamos ter nosso << webinário >> em que contaremos tudo o que fazemos para tentar ajudar a melhorar um pouquinho o nosso planeta. De agora em diante entraremos com tudo no nosso sonho de levar o que a gente faz para tudo o que é canto. Blza? Agora, quero que você faça duas coisas: responde essa pergunta do início do texto, O que você sempre teve vontade de fazer, mas faltou oportunidade? E clica aqui embaixo para fazer sua inscrição no nosso webinário do dia 27. Bora moer?


[webinario.eumaker.online]

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